sábado, 10 de outubro de 2015

How Great Thou Art

"Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos" (Salmos 19:1 NVI).

Outro dia estava conversando com a minha sogra sobre como a humanidade se isolou da natureza que testifica a realidade de um Deus Todo-Poderoso, criador dos céus e da terra.

Moramos isolados numa caixinha que chamamos de "lar"; entramos numa caixinha de rodas (carro, ônibus, trem, metrô) para chegar numa caixinha onde trabalhamos; para voltar a caixinha "lar", nova rodada de caixinha móvel. E em todo esse tempo, de olhos grudados em caixinhas com telas que nos mantém num mundo virtual (como estou fazendo exatamente agora), criação do homem que se acha poderoso.

É só prestarmos atenção na história do homem sobre a terra e perceberemos que quanto mais a humanidade se afastou de Deus, mais se isolou das "obras das Tuas mãos". E hoje, temos trocado o mundo e as pessoas reais por ambientes e relacionamentos virtuais, pois estes supostamente são mais seguros.

Na verdade, esse isolamento nos torna cada vez mais individualistas, mata a nossa "humanidade" e nos impede (ou pelo menos dificulta) de ter um encontro com o Deus da Salvação, pois se não há relacionamentos, como praticar o amor (Mateus 22.36-40)? E creio que é por isso também que mais uma profecia de Jesus tem-se cumprido em nossos dias: "Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará" (Mateus 24:12 NVI).

Que possamos retomar não só o contato com as obras das Tuas mãos, Senhor, mas também que cumpramos responsavelmente a comissão que nos deste ainda no Jardim do Éden: "Deus os abençoou e lhes disse: “Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra” (Gênesis 1:28 NVI).

terça-feira, 29 de setembro de 2015

A vingança pertence ao Senhor

"A mim pertence a vingança e a retribuição" (Deuteronômio 32.35)


Por sermos cristãos, em alguns momentos da vida, podemos sofrer algum tipo de perseguição. Ora a sofremos pela nossa forma de vida moralmente correta ("Que cara careta!"), ora a sofremos por algum deslize que cometemos ("Depois vem pagar uma de santo!"). Somos constantemente avaliados, tanto pelos que frequentam a Igreja conosco quanto pelos de fora. Jesus já havia nos alertado sobre essa situação: "Eis que vos envio como ovelhas no meio de lobos" (Mateus 10.16a NVI). Quantas vezes não ouvimos alguns cristãos, perseguidos por "N" motivos, reclamarem de suas situações em momentos como estes?

Por conta dessas circunstâncias, talvez esta passagem destacada acima seja uma das mais mal interpretadas por nós no século XXI. Não tanto pelo o que ela diz, mas pelo sentimento gerado em nós: uma sede de vingança. Um sentimento que pode nos dominar a ponto de nos fazer pecar contra o próximo. Por isso, passamos esse "pagamento" a Deus, a quem pertence a "vingança". Queremos que estas pessoas paguem pelo que fizeram conosco, pois não conseguimos suportar um justo (neste caso, nós mesmos) sofrer como um injusto.

Esse tipo de análise, entretanto, vem de nossa natureza pecaminosa. O velho homem querendo voltar a controlar nossos desejos e ações. Como discípulos de Cristo, devemos analisar situações como essa à luz do evangelho de Jesus. Graças a Deus que o Espírito Santo já tenha nos dado essa avaliação por meio do apóstolo Paulo. No capítulo 12 de Romanos, Paulo está falando sobre como o cristão deve agir diante dos homens. Então, no versículo 19, cita a passagem de Deuteronômio: "Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: 'Minha é a vingança; eu retribuirei', diz o Senhor".

Quando nossa natureza pecaminosa interpreta essa passagem, ignora o que Paulo escreve em seguida e, quando o faz, a invalida: "Ao contrário: Se o o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele. Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem" (Romanos 12.20-21 NVI).

Ora, é sempre importante lembrar-nos que, assim como nós, nossos perseguidores são pecadores. E sem a salvação de Jesus nosso destino é vivermos eternamente separados de Deus, pois "(...) todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus" (Romanos 3:23 NVI). E que, assim como a salvação veio a nós, esta também é disponível a todos: "Mas agora se manifestou uma justiça que provém de Deus, independente da Lei, da qual testemunham a Lei e os Profetas, justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que creem. Não há distinção, pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus. Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça. Em sua tolerância, havia deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; mas, no presente, demonstrou a sua justiça, a fim de ser justo e justificador daquele que tem fé em Jesus" (Romanos 3:21-26 NVI).

Como somos salvos? E para que? "Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie. Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos" (Efésios 2:8-10 NVI). 

Uma das obras preparadas para nós praticarmos é explicitamente dita a nós por Jesus: "Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos" (Mateus 5:43-45 NVI). Essas palavras de Jesus estão de acordo com a interpretação de Paulo sobre Deuteronômio  32.35 à luz do evangelho (Romanos 12.19-21).

Prezados irmãos, somos chamados para pregar o evangelho a toda criatura (Marcos 16.15). Esse é o nosso papel. E agirmos com amor ao próximo. Jesus diz que seríamos reconhecidos como seus discípulos se amássemos uns aos outros (João 13.34-35 NVI). Como isso se coaduna com esse pensamento de se esperar a "justiça" de Deus, conforme nossa natureza pecaminosa deseja? Paulo diz ao longo do capítulo 13 de 1 Coríntios que tudo que fizermos sem amor não tem valor algum.

Eis como o apóstolo Tiago relaciona a "ira do homem" da "justiça de Deus": "Meus amados irmãos, tenham isto em mente: Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se, pois a ira do homem não produz a justiça de Deus" (Tiago 1.19-20).

Com relação ao sofrimento sofrido por causa de Cristo, vejam o que a Bíblia diz:

"Se vocês são insultados por causa do nome de Cristo, felizes são vocês, pois o Espírito da glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vocês. Contudo, se sofre como cristão, não se envergonhe, mas glorifique a Deus por meio desse nome. Por isso mesmo, aqueles que sofrem de acordo com a vontade de Deus devem confiar sua vida ao seu fiel Criador e praticar o bem" (1 Pedro 4:14, 16, 19 NVI).

"(...) Chamaram os apóstolos e mandaram açoitá-los. Depois, ordenaram-lhes que não falassem no nome de Jesus e os deixaram sair em liberdade.  Os apóstolos saíram do Sinédrio, alegres por terem sido considerados dignos de serem humilhados por causa do Nome. Todos os dias, no templo e de casa em casa, não deixavam de ensinar e proclamar que Jesus é o Cristo" (Atos 5:40-42 NVI).

"Todos odiarão vocês por minha causa, mas aquele que perseverar até o fim será salvo" (Mateus 10:22 NVI).

Amados, não deixem que o ódio ou o sentimento de vingança (essa falsa justiça) nos controle (obras da carne: Gálatas 5.20), mas que o Espírito Santo nos guie em todos os momentos e em amor, porque Deus é amor.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Utopia cristã


Achei muito interessante essa tirinha. Ela me fez pensar em nossa busca pela santidade. "Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; Porquanto está escrito: SEDE SANTOS, PORQUE EU SOU SANTO" (1 Pedro 1:15,16).
Mas como conciliar esta passagem com a de Paulo: "Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; MAS VEJO NOS MEUS MEMBROS OUTRA LEI, QUE BATALHA CONTRA A LEI DO MEU ENTENDIMENTO, E ME PRENDE DEBAIXO DA LEI DO PECADO QUE ESTÁ NOS MEUS MEMBROS" (Romanos 7:15-23)? Por causa desse conflito entre nosso entendimento e nossa carne, o apóstolo João nos diz que "Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós" (1 João 1:8).
O próprio Paulo nos consola: "Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o ENTENDIMENTO sirvo à lei de Deus, mas com a CARNE à lei do pecado. Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito" (Romanos 7.24-8.1). E nos diz o que fazer: "Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional; e não vos conformeis com este mundo, mas TRANSFORMAI-VOS PELA RENOVAÇÃO DA VOSSA MENTE, para que proveis qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus" (Romanos 12.1,2). Renovação essa trazida quando ouvimos o Evangelho, nos arrependemos, nos convertemos e passamos a ser Filhos de Deus.
E esse novo entendimento, trazido pelo evangelho, mais o auxílio que temos do próprio Deus que habita em nós (o Espírito Santo), nos conduz nessa caminhada diária (Marcos 8.34) em busca dessa transformação, que é a santidade. Santidade esta que devemos viver aqui, mas que a teremos completamente quando Cristo voltar.

Filhos de Deus



"Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isso é justo" (Efésios 6.1 NVI).


Quando criança, nem sempre tínhamos entendimento e maturidade para agir em amorosa obediência a nossos pais. Muitas vezes, brigávamos, discutíamos ou fazíamos pirraça, tudo para que a nossa vontade fosse feita, a despeito da de nossos pais.

Assim também agimos em alguns momentos com Deus, nosso Pai Celestial. Às vezes, ficamos zangados por uma oração (aparentemente) não respondida. Outras vezes, por não recebermos exatamente aquilo que achávamos merecer.

Entretanto, nossos pais, no final, conseguiam a nossa obediência, seja ela amistosa ou não. E algumas vezes, também "aceitamos" a autoridade de Deus.

Uma vez que fomos salvos por Cristo, tornamo-nos filhos de Deus. E como filhos, devemos obedecê-lo em tudo, pois isso é justo e Deus é justo, santo e amoroso. E uma vez salvos, tendo nossa mente renovada para nossa transformação (que é o processo de santificação), devemos lembrar que em algumas coisas (e em alguns momentos) os filhos devem aceitar e obedecer antes de poderem compreender todas as razões. Entender que nossos pais têm (e fazem) o melhor para nós. E se nossos pais, "apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem!" (Mateus 7.11 NVI).

Com tudo isso quero dizer o seguinte: sejamos em tudo obedientes ao nosso Pai Celestial, mas uma obediência madura, em amor, confiando sempre que Ele também agirá em amor conosco, "porque Deus é amor" (1 João 4.8b NVI).

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Não temos tempo?

Existe o costume de nos queixarmos da correria e do árduo trabalho da nossa época. Mas na verdade a marca principal da nossa época é uma profunda preguiça e fadiga. O fato é que a verdadeira preguiça é a causa da aparente correria. Tomemos um caso totalmente externo: as ruas são barulhentas, cheias de táxis e carros. Mas isso não se deve à atividade humana, mas sim ao repouso. Haveria menos correria se houvesse maior atividade, se as pessoas simplesmente andassem a pé. O mundo seria mais silencioso se houvesse mais trabalho. E isso que se aplica à aparente correria física também se aplica à aparente correria intelectual.

(G. K. Chesterton )

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Os Protestos no Brasil revisitados por Chesterton


           Suponhamos que surja em uma rua grande comoção a respeito de alguma coisa, digamos, um poste de iluminação a gás, que muitas pessoas influentes desejam derrubar. Um monge de hábito cinza, que é o espírito da Idade Média, começa a fazer algumas considerações sobre o assunto, dizendo à maneira árida da Escolástica: "Consideremos primeiro, meus irmãos, o valor da luz. Se a luz for em si mesma boa...". Nesta altura, o monge é, compreensivelmente, derrubado. Todo mundo corre para o poste e o põe abaixo em dez minutos, cumprimentando-se mutuamente pela praticidade nada medieval. Mas, com o passar do tempo, as coisas não funcionam tão facilmente. Alguns derrubaram o poste porque queriam a luz elétrica; outros, porque queriam o ferro do poste; alguns mais, porque queriam a escuridão, pois seus objetivos eram maus. Alguns se interessavam pouco pelo poste, outros, muito; alguns agiram porque queriam destruir os equipamentos municipais; outros porque queriam destruir algumas coisa. E há uma guerra noturna em que ninguém sabe a quem atinge. Então, aos poucos e inevitavelmente, hoje, amanhã, ou depois de amanhã, voltam a perceber que o monge, afinal, estava certo, e que tudo depende de qual é a filosofia da luz. Mas o que poderíamos ter discutido sob a lâmpada a gás, agora teremos que discutir no escuro.
                                                                                                         Chesterton, G. K. Hereges. 2ª ed. Campinas: Ecclesiae, 2012.